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domingo, 27 de maio de 2012

CELG explicaria medidas desesperadas de Gilmar Mendes

(continuação da nota "Veja vestiu guardanapos na cabeça de Cachoeira, Demóstenes e Gilmar em Berlim")

Sexto ato:

A matéria da revista Veja onde Gilmar Mendes tenta se passar por vítima de Lula na CPI do Cachoeira, foi um tiro no pé, porque colocou em pauta a viagem a Berlim de Gilmar Mendes, Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. Até então, o assunto era tratado apenas como boato, ainda. O próprio Gilmar conferiu veracidade na matéria da Veja.

Como dissemos, pode-se criticar Gilmar Mendes por tudo, mas de bobo ele não tem nada. Então o que levaria ele mesmo a agir com a Veja para ligar o holofote focalizando a viagem a Berlim? A lógica indica, que só seria razoável tomar esse rumo se fosse para desviar o foco de algo mais grave.

Pois a cronologia das datas nos traz pistas.

26 de abril

Ocorreu o encontro com Lula na escritório de Nelson Jobim, dia que Lula esteve em Brasília. Na véspera (25), almoçou no Alvorada com a Presidenta Dilma e velhos companheiros de longa data, e a noite, Lula e Dilma assistiram a estréia do documentário “Pela Primeira Vez”, de Ricardo Stuckert, sobre os últimos momentos do governo Lula e a posse da presidenta Dilma Rousseff.

Na noite do dia 26, Gilmar Mendes estava no julgamento da constitucionalidade das cotas raciais nas universidades.

No próprio dia 26, cedo, já aparecia a notícia da deputada federal Iris de Araújo (PMDB-GO) apresentar requerimento na CPI do Cachoeira,  para o Ministério da Fazenda investigar a existência de contas bancárias do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) no exterior. Essas suspeitas envolvem supostos desvios de dinheiro na CELG (companhia estadual de eletricidade).

Por outro lado, já havia vazado os relatórios da Operação Monte Carlo, onde constava o telefonema onde o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) comemorava com Cachoeira, o fato de Gilmar Mendes ter puxado um processo da CELG para o STF. Demóstenes avaliava que Gilmar conseguiria tirar das costas da CELG, 2 a 3 bilhões de dívidas.



28 de abril

O Estadão publicava matéria sobre o diálogo acima, com um texto que colocava Gilmar Mendes sob suspeita de ter favorecido aos interesses de Carlos Cachoeira, através da influência de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

A reportagem do Estadão teve duas versões.

A primeira foi ao ar no portal da internet com um texto maior, com o título "Demóstenes ‘trabalhou’ com Gilmar Mendes para levar ao STF ação da Celg, diz PF"e encerrava dizendo: "O ‘Estado’ não conseguiu encontrar o senador e o ministro do STF para comentarem a gravação".

A segunda versão, apagou a primeira, encurtou o texto e aliviou para Gilmar Mendes, a começar pelo título "Demóstenes tratou de processo da Celg no STF, segundo PF".  A íntegra do texto da versão censurada e da substituída pode ser lida aqui.

Se a reportagem foi publicada em 28 de abril, é possível que no dia 26, Gilmar Mendes já soubesse, pelos rumores, e tentativas de "ouvir o outro lado".

29 de abril

O "site" Direito Positivo, levantava a possibilidade de Gilmar Mendes ter que responder processo por crime de responsabilidade:
Na hipótese das notícias que ligam o Senador Demóstene com o Ministro Gilmar Mendes serem confirmadas durante a CPMI, o Ministro poderá ser julgado pelo Senado Federal pela prática em tese de conduta prevista na lei 1079/50 combinada com a Constituição Federal no Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal (...).

10 de maio

Gilmar Mendes concedeu entrevista às redes de TV, onde foi perguntado sobre os rumores da convocação do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, à CPI.

Gilmar repetiu o bordão de gritar a palavra mágica "mensalão" para desviar do assunto Cachoeira:

“Eu tenho a impressão de que esta havendo um certo exagero, uma certa precipitação, talvez tenha razão o procurador-geral, que estamos prestes de iniciar o julgamento desse caso do mensalão e que haja talvez o propósito de desacreditá-lo, de deslegitimá-lo, não é?”, disse, e foi ao ar no Jornal Nacional (confira aqui)


Ora, então fica claro que se ele tivesse recebido "pressão" de Lula em troca de "proteção na CPI", ele teria que ter mencionado ali mesmo, naquela entrevista do dia 10.

Será que ainda não tinha, digamos, alinhavado o enredo a ser contado pela revista Veja?

Aliás, se ele achasse que houvesse motivo para "denunciar" Lula, como tentou fazer na Veja, por quê esperar um mês? Por que não no mesmo dia, no dia seguinte ou na semana seguinte?

Agora a CPI está obrigada a investigar o caso CELG:

Gilmar Mendes se expôs de forma que, racionalmente, ninguém se exporia, pois pulou dentro do caldeirão onde já fritam Demóstenes Torres, Carlinhos Cachoeira e a revista Veja.

Só medidas desesperadas explicam esse comportamento.

A CPI, agora, vê-se obrigada a investigar o caso CELG, além do que está por trás das viagens de Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres e Gilmar Mendes a Berlim.

Também é hora de aprovar o requerimento da deputada Iris Araújo (PMDB), para rastrear contas no exterior.

Aguardemos o próximo capítulo.

11 Comentários:

Anônimo disse...

Mas o encontro foi na casa do Jobim ou no escritorio do Jobim? No blog 247 diz que foi no escritorio? Ze Augusto, o encontro foi no escritorio ou foi na casa?

Anônimo disse...

Todos os parlamentares do PT, deveriam ter esse blog como leitura obrigatória, pois qaui as coisas são explicadas nos detalhes. Já prevejo na CPI, no congresso e na mídia, todos malhando o Lula, e os petistas como um bando de covardes, caladinhos.

Anônimo disse...

Esse encontro foi na casa ou no escritório do Jobim?
Marianne Sobotta

Anônimo disse...

fim de era. o porre foi grande... 500 anos de ameríndios desapossados e africanos escravizados. um dia tinha que acabar... e acabar sem samba que é a melhor maneira de se conversar.

julio cesar montenegro jcmontenegro@globo.com

José Erivaldo Ferreira Silva disse...

O que os tucanos não sabia é que o tiro saiu pela culatra porque colocou em pauta a viagem a Berlim de Gilmar Mendes, Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. É sabido que PF disse que Demóstenes trabalhou com Gilmar para levar ao STF uma ação bilhonaria envolvendo a CELG Ou seja, colocou em pauta também a Companhia Energética de Goiás (Celg ) quebrada pelo tucano Marconi Pirillo

Teresinha Carpes disse...

Gurgel,Gilmar Mendes,oposição;se comportam de forma covarde e se socorrem com a palavra chave para todos êles:"mensalão"!!Que asco,que tenho por estas pessôas!

Herminio disse...

Com certeza a oposição como sempre vai se posicionar contrraria à convocação dessas ratazanas e os meios de3 comunicação(pig) vão na mesma linha, o que precisamos é, deixa quieto!

Marly Rosa disse...

Ataque de Veja a Lula pode radicalizar CPI.

Até este fim de semana, a posição majoritária era de poupar a revista nas investigações da CPI do Cachoeira. Isso deve mudar, pelo menos entre os deputados petistas, que agora voltam a falar na convocação de Roberto Civita e Policarpo Júnior

27 de Maio de 2012 às 21:28

Minas 247 - A entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, à revista Veja, pode acabar tendo efeito contrário ao desejado. A CPI do Cachoeira, que caminhava para uma acomodação, pode radicalizar-se. O 247 apurou que vários parlamentares federais do PT estão profundamente contrariados com o que chamam de “armação” da revista contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e líder do partido.

Segundo a Veja, Lula teria pressionado Mendes a protelar o julgamento do mensalão para não prejudicar o PT nas eleições municipais deste outubro. Segundo o ministro do STF, o ex-presidente teria insinuado a possibilidade de blindá-lo na CPI em troca do adiamento do julgamento do mensalão. Mendes já foi desmentido pelo ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, que participou da conversa relatada pela revista.

Como quase sempre ocorre, os deputados do PT não querem se apresentar publicamente, ao menos por enquanto, por temerem represália da revista. Mas eles vêem “inconsistências” na denúncia de Veja. Em primeiro lugar, estranham que Lula tenha procurado justamente Gilmar Mendes para negociar o atraso no julgamento dos mensaleiros. Nomeado para o Supremo por Fernando Henrique Cardoso, Mendes não é relator do processo do mensalão (Joaquim Barbosa), nem revisor (Ricardo Lewandowski) ou presidente do STF (Ayres Brito). A negativa enfática de Nelson Jobim também trabalha contra a veracidade da denúncia, segundo eles. Jobim é amigo e ex-colega de Mendes no Supremo. Poderia, pelo menos, sair pela tangente quando consultado sobre a reunião com Lula, mas optou por uma negativa categórica: “De forma nenhuma, não se falou nada disso”. Jogou o colega em maus lençóis.

Um outro aspecto lembrado é que, ao contrário de denúncias anteriores, a deste fim de semana não teve tanta repercussão nos outros meios de comunicação. Pelo contrário, repercutiu mais a negativa de Jobim dada ao jornal O Estado de S. Paulo do que a própria fala de Gilmar Mendes. O mesmo Mendes, no penúltimo ano do segundo mandato de Lula na presidência, afirmou, à mesma Veja, ser vítima de grampo em conversas com o senador Demóstenes Torres - até hoje o áudio dessa escuta não apareceu.

O sentimento dominante na bancada petista é de que a Veja estaria jogando suas últimas cartadas na tentativa de desmerecer a CPI do Cachoeira, na visão dela uma jogada de Lula para acorbertar o mensalão.

Não há deputado ou senador petista que acredite na nova denúncia da revista, pelos motivos expostos acima e pelo histórico de Veja contra Lula e o PT. Até este fim de semana, a posição era de moderação em relação à possibilidade de chamar o jornalista Policarpo Júnior, chefe da sucursal da publicação em Brasília, e o dono da revista, Roberto Civita, para prestarem depoimentos à CPI. Agora, depois da denúncia de Gilmar Mendes, essa posição corre risco.

O tiro de Veja contra Lula saiu pela culatra: vai radicalizar uma CPI que dava sinais de esgotamento e reforçar a posição de quem defende que as investigações não poupem nenhum lado, incluindo os meios de comunicação.

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/61554/Ataque-de-Veja-a-Lula-pode-radicalizar-CPI.htm

Resumo da ópera. A midia prepara saída estratégica e pode isolar o Ministro Gilmar "Dantas" Mendes "Cachoeira".

@Marly_Rosa

Luis disse...

Juiz bandido.

Unknown disse...

Acredito que tudo não passou de uma tentativa desesperada do Gilmar de escapar das revelações que vêm por aí. Tudo bem ....
Mas, só não dá para entender porque o Lula não convoca uma entrevista coletiva e conta tudo o que aconteceu no tal encontro. O Gilmar não escaparia de um impeachment, pelo menos, por mentir descaradamente..

Zé Augusto disse...

Aos amigos leitores que perguntaram, eu escrevi errado (já corrigi). O encontro foi no escritório, e não na casa do Jobim. Mas creio que isso não faria a menor diferença.
A gente conhece muito bem o caráter de Lula, e sabe que ele conversa com todo mundo de todos os partidos, principalmente para fazer alianças políticas que acredita serem importantes para o Brasil e para coisas como a reforma política. Mas Lula não faria propostas indecorosas, e muito menos contaria segredos logo para Gilmar Mendes, que sempre se posicionou contra Lula.
Lula poderia até ter divergido em opiniões e travado algum leve debate, já que nunca teve afinidades com Gilmar Mendes, mas jamais passaria disso.

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