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sábado, 23 de julho de 2016

Deputados americanos assinam carta contra o impeachment de Dilma e golpe no Brasil



"Escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com acontecimentos recentes no Brasil, que acreditamos ameaçar as instituições democráticas daquele país". Assim começa uma carta que circula no Congresso dos Estados Unidos contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Endereçada ao secretário de Estado americano, John Kerry, o documento pede que ele tenha a "máxima cautela" nos contatos com o governo interino de Michel Temer e evite ações e declarações de apoio ao impeachment de Dilma.

A carta é iniciativa de três deputados do Partido Democrata e tem o apoio de mais de 20 organizações, entre elas a poderosa central sindical AFL-CIO, que tem mais de 12 milhões de membros. Até esta sexta (22), ela contava com a assinatura de 39 deputados (dos 435), incluindo nomes influentes, como John Lewis, ícone do movimento pelos direitos civis nos EUA dos anos 60.

"Nosso governo deveria expressar forte preocupação em relação às circunstâncias em torno do processo de impeachment e fazer um chamado à proteção da democracia constitucional no Brasil e do Estado de direito no Brasil", diz o texto, ressaltando que "não é um julgamento legal, mas político", que será decidido por um Senado "eivado de corrupção".

É a segunda iniciativa recente contra o impeachment na Câmara dos Deputados dos EUA. No dia 13 deste mês, o deputado democrata Alan Grayson havia feito um discurso em tom parecido no plenário, em que chamou o governo de Temer de antidemocrático por adotar medidas que não foram aprovadas nas urnas. A carta, no entanto, vai além, ao questionar diretamente o impeachment.

Em um dos trechos, o documento lembra as gravações divulgadas pela Folha em maio, nas quais o ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), sugeria ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo permitiria "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.

"O senhor Jucá foi demitido depois que o maior jornal do Brasil, Folha de Sao Paulo, revelou uma conversa gravada dele tramando o impeachment da presidente Dilma Rousseff para instalar Temer em seu lugar como forma de parar uma enorme investigação de corrupção", lembra.

"Para piorar, muitos dos políticos que apoiam o processo de impeachment são acusados de crimes graves, como corrupção, desvios e até tentativa de homicídio. Isso inclui o senhor Temer, que foi considerado culpado de violações no financiamento de campanha e está vetado de se candidatar a qualquer cargo político".

O documento foi redigido num formato conhecido no Congresso como "Caros colegas", em que uma correspondência oficial é enviada a todos os membros da Câmara para defender uma posição ou um projeto de lei.

Segundo o escritório do deputado John Conyers Jr., um dos líderes da iniciativa, o número de signatários é considerado "extremamente bom", sobretudo diante do fato de o Congresso estar em recesso. Acrescentou que há muito tempo não havia uma carta semelhante sobre o Brasil na Câmara dos Deputados americana.

Os argumentos do impeachment, afirma o abaixo-assinado, não são baseados em acusações de corrupção e Dilma jamais foi "formalmente indiciada" por esse crime. Acrescenta que as pedaladas fiscais que serviram de base para o impeachment, são "uma prática amplamente usada em todos os níveis do governo brasileiro, incluindo seus dois antecessores".

Os signatários também são críticos em relação ao comportamento do governo do presidente Barack Obama, que "em vez de mostrar preocupação com esses acontecimentos perturbadores", enviou sinais que "poderiam ser interpretados como de apoio à campanha do impeachment".

Como exemplo, lembram o encontro do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) em Washington com o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, dois dias após a aprovação do impeachment na Câmara dos Deputados.

Embora a Casa Branca tenha afirmado que não havia planos de o presidente Obama telefonar para Temer após sua posse como interino, o Departamento de Estado, chefiado por John Kerry, expressou confiança nas instituições brasileiras. Além disso, embaixador americano na OEA (Organização dos Estados Americanos) afirmou que o país não vê o impeachment como golpe.

"Estamos consternados em observar que até agora o Departamento de Estado limitou-se a expressar confiança no processo democrático no Brasil, sem notar algumas das óbvias preocupações em relação ao processo de impeachment e as ações tomadas pelo governo interino", afirma.

Em resposta, o embaixador do Brasil em Washington, Luiz Alberto Figueiredo, enviou uma carta aos signatários dizendo-se "surpreso" com a iniciativa e chamando de "completamente equivocada" a alegação de que a democracia brasileira está sob ameaça - Publicado na Folha

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O silêncio da imprensa na prisão do prefeito por desvios no PAC, e da esposa deputada, acusada de corrupção


Com um discurso voltado “contra a corrupção”, “ética” e “perda de governabilidade”, o  presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, confirmou que o partido vai apoiar, no mérito, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. 
É no mínimo curioso o discurso de Siqueira, já que seu partido está envolvido, segundo a Operação Turbulência da PF, no caso do avião fantasma, comprado por empresas fantasmas, para transportar o então candidato à presidência Eduardo Campos.Mais estranho ainda é que se faça discurso contra corrupção e silencie sobre a corrupção de político de seu partido.Um exemplo disso, e que deveria receber atenção e comentários por parte do presidente nacional do PSB, é o comportamento do prefeito de Foz do Iguaçu (PR), Reni Clovis de Souza Pereira, conhecido como Reni Pereira (PSB) preso pela Polícia Federal (PF) durante a...Continue lendo aqui

Temer manda Caixa ampliar financiamento para imóveis destinados aos mais ricos



Temer manda, a caixa cumpre as ordens.E aquele pessoal rico que gritou fora Dilma, ganha carinho do interino presidente Temer. A Caixa Econômica Federal vai ampliar o financiamento para imóveis destinados a pessoas com renda mais alta.

O banco vai dobrar o valor máximo dos imóveis que pode financiar, elevando o teto a R$ 3 milhões, e aumentar de 70% para 80% a parcela do valor total que pode ser financiada no caso dos imóveis novos com preço superior a R$ 750 mil (DF, SP, RJ e MG) e R$ 650 mil (demais Estados).

Para imóveis usados, terrenos, construções e reformas, a Caixa aumentou o porcentual que pode ser financiado de 60% para 70%. As mudanças entrarão em vigor na próxima segunda-feira (25).

O banco é o maior financiador do mercado imobiliário do país, com 67% da carteira de crédito do setor atualmente. Mas a instituição encontra dificuldades para obter novos negócios em meio à recessão. Até junho, a Caixa emprestou R$ 39 bilhões para imóveis, menos da metade do orçamento previsto para este ano, de R$ 93 bilhões.

Para compensar a retração, o banco buscou captar recursos no mercado, com a emissão de letras financeiras e outros instrumentos, para viabilizar a aposta nos mais ricos. "Agora temos dinheiro sobrando", disse o vice-presidente de habitação, Nelson Antonio de Souza, à agência Reuters nesta segunda (18)

Para imóveis com valor de até R$ 750 mil, os empréstimos são feitos conforme as regras do Sistema Financeiro Habitacional (SFH), com juros mais baixos e lastro nos depósitos na poupança. Mas o saldo das cadernetas caiu nos últimos meses por causa da crise e do baixo rendimento, reduzindo os recursos disponíveis para novos empréstimos.

Imóveis com valor acima de R$ 750 mil são financiados de acordo com as regras do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as instituições financeiras têm liberdade para definir a fonte dos recursos e as taxas.

"Provavelmente a Caixa está com recursos ociosos e resolveu direcionar para essa faixa. É uma questão de estratégia", afirma o professor João Rocha da Lima, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, especialista em mercado imobiliário.

A Caixa não divulgou se haverá mudança nas taxas cobradas com a ampliação da faixa de financiamento. Hoje, os juros cobrados pelo banco são menores do que os de seus concorrentes.

Itália lança 'bolsa família' para combater pobreza




O Ministério do Trabalho da Itália lançou nesta terça-feira (19) um projeto chamado "Apoio para a Inclusão Ativa" (SIA, na sigla em italiano), que destinará até 400 euros (R$ 1,44 mil) mensais para famílias que vivem em situação de pobreza.  

O benefício será de 80 euros (R$ 288) por membro do núcleo familiar, respeitando o teto de 400 euros - ou seja, famílias com seis ou mais componentes receberão o mesmo que aquelas com cinco integrantes.  

Para ter acesso ao incentivo, os núcleos deverão ter Indicador da Situação Econômica Equivalente (ISEE) de até 3 mil euros (R$ 10,8 mil) e a presença de pelo menos um membro menor de idade, deficiente ou grávida. O ISEE é um instrumento criado para avaliar a situação financeira dos italianos, levando em conta renda, patrimônio e características da família.  


Além disso, precisarão aderir a um projeto personalizado de inserção social e trabalhista, uma espécie de acompanhamento para deixar a condição de pobreza. Sendo assim, as pessoas beneficiadas deverão se empenhar na busca por trabalho e no cumprimento de objetivos educacionais (como frequência escolar) e sanitários (como vacinação).  

As famílias interessadas poderão solicitar a bolsa a partir de 2 de setembro, e o governo acredita que o SIA cobrirá entre 180 mil e 220 mil núcleos e de 800 mil a 1 milhão de cidadãos, metade dos quais menores de idade.  

Segundo o ministro do Trabalho Giuliano Poletti, já foram separados 750 milhões de euros (R$ 2,7 mil) para o projeto em 2016, mas ele ressaltou que a medida será apenas uma "ponte" que levará o país à chamada "renda de inclusão", que ajudará todos os menores de idade em condição de pobreza absoluta, algo em torno de 1 milhão de jovens.  

Há apenas quatro meses, o primeiro-ministro Matteo Renzi havia chamado de "esmola de Estado" a proposta do Movimento 5 Estrelas (M5S) de criar uma "renda de cidadania" para pobres. O projeto, atualmente em discussão no Senado, prevê que todas as pessoas maiores de 18 anos que recebam menos de 780 euros (R$ 2,8 mil) por mês tenham um auxílio financeiro para atingir esse patamar.  

Atualmente, a pobreza absoluta na Itália atinge 4,598 milhões de pessoas, a cifra mais alta desde 2005, ainda antes da crise que jogou o país em uma longa recessão. (ANSA)

Ministro do PRB contrata assessor do partido de forma oculta



O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, contratou de forma oculta seu assessor no PRB, Diego Polachini, que é filiado à legenda desde 2011. Pereira presidiu o partido até virar ministro. O assessor atuou na campanha do deputado Celso Russomanno à prefeitura de São Paulo em 2012 e era auxiliar direto de Pereira no partido. Polachini passou a ocupar uma função de confiança na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), subordinada ao ministério, mas desempenha o papel de assessor especial do gabinete da pasta. A ABDI paga um salário de R$ 19,4 mil ao assessor. Os pagamentos da agência não ficam disponíveis no Portal da Transparência do governo federal.

 O ministro é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e foi nomeado no cargo pelo presidente interino Michel Temer no mesmo dia da admissão do processo de impeachment, em 12 de maio. Já a ABDI passou a ser presidida por um ex-companheiro de partido de Pereira, Luiz Augusto de Souza Ferreira, que foi filiado ao PRB de 2007 a 2013 e que também atuou na campanha de Russomanno.

A ABDI é uma caixa-preta, que recebe recursos públicos, mas tem natureza privada. A agência não divulga salários nem diárias pagas. Desde que chegou ao cargo, no fim de junho, o novo presidente tem recebido adiantamentos de recursos para eventos em São Paulo, cidade onde mora. Parte dos eventos tem relação com o empreendedorismo, área de atuação de Ferreira.

COMÉRCIO NA CHINA

À frente da ABDI, ele vem adotando um programa de ajuste na agência e já demitiu 36 funcionários – 15 do quadro efetivo, 10 terceirizados, 6 comissionados, 3 estagiários e 2 temporários. Ferreira convocou cinco funcionários efetivos que estão de licença – sem remuneração – para que se apresentem e sejam demitidos. Um deles é Márcia Oleskovicz, mulher do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT). Ela está de licença desde outubro de 2010.

No último dia 8, Ferreira editou resolução diminuindo os valores das diárias internacionais da agência de US$ 700 para US$ 400, nos casos das viagens para as principais cidades da América do Norte e da Ásia, e de € 700 para € 400, em viagens para as principais cidades da Europa e da África. O assessor especial do ministro lotado na ABDI foi um dos últimos beneficiários com diárias nos valores mais altos, estabelecidos ainda na gestão de Alessandro Teixeira.

Três dias antes de as diárias serem reduzidas, ele embarcou para o encontro dos ministros de Comércio do G-20 na China, que durou entre os dias 5 e 12, segundo o ministério. No total, o assessor recebeu em diárias para esta viagem € 3.250,00 ( cerca de R$ 11,1 mil), dinheiro equivalente a cinco diárias.

A comitiva à China incluiu o ministro e dois servidores da pasta. Ministros de Estado, por exemplo, recebem de diária para viagem à China, podendo optar por US$ 300 ou € 300. Assim, as diárias pagas a Pereira não ultrapassariam € 1,5 mil, levando em conta os dias pagos a seu assessor. Os pagamentos ainda não estão disponíveis no Portal da Transparência.

Um inquérito do Ministério Público (MP) de São Paulo investiga desde 2014 “má aplicação de recursos públicos” na destinação de verba da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo à Associação Crédito Popular Solidário – São Paulo Confia, uma entidade de microcrédito sem fins lucrativos. Ferreira ainda aparece nos registros da Receita Federal como presidente da instituição, função exercida desde 2012. Até julho de 2013 ele foi supervisor geral do Trabalho na mesma secretaria da Prefeitura de São Paulo.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Temer é multado por crime eleitoral e pode virar ficha-suja



Presidente interino tem 30 dias contados a partir de terça-feira para pagar uma multa no valor de R$ 80 mil

O presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), tem 30 dias contados a partir de terça-feira, 19, para pagar a multa no valor de R$ 80 mil referente ao processo no qual foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por doação acima do permitido na legislação.

Por esta condenação, Temer pode ser enquadrado na lei da ficha limpa caso tente se candidatar a um cargo eletivo nos próximos oito anos.

O peemedebista deverá retirar uma guia de recolhimento da União (GRU) na 5ª Zona Eleitoral, no bairro de Jardim Paulista, na zona sul de São Paulo, e retornar ao local para informar o pagamento. Se perder o prazo, o presidente em exercício entra no cadastro da Dívida Ativa da União.

O pagamento da multa não anula os efeitos da condenação, segundo a Justiça Eleitoral. Temer foi condenado no início de maio por unanimidade no plenário do TRE-SP por ter feito doações acima do limite imposto pela legislação eleitoral na campanha de 2014, na qual o peemedebista concorreu na chapa da então candidata Dilma Rousseff (PT).

Segundo a representação ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral, o então candidato a vice doou ao todo R$ 100 mil para dois candidatos do PMDB do Rio Grande do Sul a deputado federal, Alceu Moreira e Darcísio Perondi, que receberam R$ 50 mil cada um. O valor é 11,9% do rendimento declarado pelo vice em 2013.

Naquele ano, Temer declarou ter tido rendimentos de R$ 839.924,46. O peemedebista não poderia, portanto, doar quantia superior a R$ 83.992,44, uma vez que a lei eleitoral impõe teto de 10% do rendimento declarado pelo doador no ano anterior.

A lei da ficha limpa estabelece, na alínea "p" do inciso 1º, que fica inelegível "a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de oito anos após a decisão".

- Academias no Rio

 O juiz Marcello Rubioli, responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral no Rio, intimou o prefeito Eduardo Paes (PMDB) a interromper a instalação de Academias daTerceira Idade (ATI), sob pena de crime de improbidade e abuso de poder político. Um primeiro problema com o programa foi detectado em uma obra para a instalação de uma ATI, feita com dinheiro público, em um condomínio particular

Marcela manda, Temer fecha estacionamento público



A ida de Marcela Temer, mulher do presidente interino, Michel Temer, e de seu filho para Brasília tem provocado mudanças na rotina e nos protocolos do Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência da República.

Uma das medidas tomadas recentemente foi a proibição do uso do estacionamento público localizado na entrada do local, que chegou a ter seu acesso bloqueado por um período logo que Temer assumiu o comando do país, em maio deste ano.

Segundo a Folha apurou, Marcela ficou incomodada com a exposição que poderia ter e com a possibilidade de que fossem feitas fotos da área privativa do palácio caso a imprensa ficasse naquele lugar.

Na semana passada, por exemplo, ela e Temer fizeram uma caminhada no perímetro interno do palácio registrada por cinegrafistas e fotógrafos.

Na terça (19), os jornalistas que acompanharam o jantar de Temer com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já não puderam usar o estacionamento.

Os seguranças do Jaburu indicaram, então, uma outra região onde os carros de reportagem e veículos particulares poderiam ser estacionados. Os locais improvisados eram em cima de um canteiro de grama afastado da entrada da residência, que teve parte do meio-fio quebrado para facilitar o acesso, ou em uma faixa de asfalto "zebrada" com a marcação de proibição para o tráfego. Ambos irregulares, portanto.Na Folha

Governo Temer está imóvel e não é cobrado a se mexer



O governo está imóvel. E não quer se mexer. Sob a proteção de imprensa e TV dopadas com tranquilizantes, o grupo de Michel Temer fala, recebe simpatia, não faz e não é cobrado.

Nenhuma das medidas com alguma importância, propaladas sem cessar em mais de dois meses, teve os primeiros passos efetivados. Nada do anunciado sequer passou da garganta para o papel: não se sabe de um só projeto, entre os temas de razoável expressão, que já esteja esboçado para discussão ao menos nos ministérios interessados.

No país das urgências, a paralisia administrativa é intencional. Pedida mesmo, como norma geral, por Temer e por Eliseu Padilha, que é quem, de fato, tem nas mãos as rédeas do governo –cabendo a Geddel Vieira Lima as relações políticas e a Temer sentar-se na cabeceira. E o ministro do novo milagre brasileiro? Henrique Meirelles entrou ocupando as páginas e telas, mas o seu estilo Antonio Palocci, de falar sem dizer, esgota-se com a repetição do vazio, além de verbal, operacional. Ainda que possa ter alguma perplexidade, não tem culpa de que o seu ministério seja uma grande casa de repouso.

Algumas vezes foi dito que Temer & cia. esperavam a definição da Câmara sobre Eduardo Cunha, já aos tombos. A Olimpíada passou a ser a explicação: entra-se em um momento especial, tenso e festivo, sobretudo tumultuoso. Mas a origem do marasmo é outra: está em interesse pessoal de Temer e no interesse político dos instalados no Poder. Os problemas do país são do país e da população; o deles é assegurar o impeachment de Dilma Rousseff.

Logo, é preciso imobilizar-se para combinar os cuidados contra três possíveis fontes de reação a Temer & cia.. A "base parlamentar" considerada capaz de votar as reformas propaladas é, mais ainda, capaz de reação que se reflita contra o impeachment caso lhe exijam decisões impopulares, em época eleitoral.

Na mesma linha, os prefeitos atuais e os candidatos ligados à base, em especial os numerosos do PMDB, não querem pagar nas ruas e nas urnas pela indignação de contingentes eleitorais, atingidos pelas reformas. Por fim, reformas da Previdência, da legislação trabalhista, da demarcação de terras indígenas, e outras desse quilate, por vocação e por interesse político de Temer têm que ser do agrado do poder econômico. O que significa perda e exasperação de grande massa a um só tempo eleitoral e mobilizável, como reação, contra o impeachment. Ou pelo impeachment simultâneo de Dilma e Temer, que o ministro Gilmar Mendes –é o esperado– fará o impossível para evitar. O imobilismo é deliberado.- Artigo de Janio de Freitas

O "Drive Premium", informativo tão sucinto quanto eficiente de Fernando Rodrigues e equipe, captou a maneira como Michel Temer encerrou, nesta semana, uma reunião ministerial que, para efeito público, examinaria as tais reformas: "Em duas semanas, voltamos à análise dessas propostas". A única decisão tomada foi a de continuar nada decidindo. Para que não faltasse um registro marcante, Geddel Vieira Lima atirou uma gozação ácida contra José Serra, e pronto.

Mais 15 dias? A imobilidade enroladora permanecerá mais do que de 13 de maio até hoje. No mínimo, até a eleição: quase cinco meses em que as migalhas de melhoria da situação vêm, na verdade, dos três meses anteriores ao afastamento de Dilma. Se a decisão do impeachment ultrapassar a eleição, o imobilismo não tem prazo previsível. Mas a imprensa e a TV servem também para eventualidades assim.

GRAMPOS

De muita gravidade, bastante além do seu aspecto ilegal, a interferência feita sem autorização judicial por Otávio Azevedo, como presidente da Andrade Gutierrez controladora da telefônica Oi, em linhas celulares de clientes. O repórter Thiago Herdy cita dois casos, ao revelar a constatação de perícia da PF em celular de Azevedo. Mas são muitos os motivos para admitir-se que não sejam únicos. Essa investigação não pode bastar-se no que viu até aqui. Se, entre os mais informados do Rio, o cuidado telefônico continua como na ditadura, não é à toa.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

DataFraude: A Folha fraudou pesquisa para ajudar Temer


Datafolha admite que houve manipulação em pesquisa sobre Temer
Depois de questionado pelo site independente de notícias Intercept, sobre os dados de pesquisa do Instituto Datafolha, divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo, no último fim de semana, sobre a preferência do brasileiro em relação à permanência de Michel Temer ou a volta de Dilma Rousseff, o Instituto Datafolha admitiu imprecisão na análise dos dados. O site diz que o jornal cometeu uma “fraude jornalística”.

“Ontem 19, os dados completos e as perguntas complementares da pequisa foram divulgados. Tornou-se evidente que, seja por desonestidade ou incompetência extrema, a Folha cometeu uma fraude jornalística. Apenas 3% dos entrevistados disseram que desejavam a realização de novas eleições, e apenas 4% disseram que não queriam nem Temer nem Dilma como presidentes, porque nenhuma dessas opções de resposta encontrava-se disponível na pesquisa”, diz o texto do site de notícias.

Em entrevista ao Intercept, Luciana Schong, do Datafolha, disse que "qualquer análise desses dados que alegue que 50% dos brasileiros querem Temer como presidente seriam imprecisos, sem a informação de que as opções de resposta estavam limitadas a apenas duas." Luciana afirmou à agência de notícias que foi a Folha, e não o instituto de pesquisa, quem estabeleceu as perguntas a serem feitas aos entrevistas e reconheceu "o aspecto enganoso na afirmação de que 3% dos brasileiros querem novas eleições", “já que essa pergunta não foi feita aos entrevistados”.
Dados corretos:62% querem novas eleições
A pesquisa foi divulgada no sábado (16) na Folha Online e no domingo (17) no jornal Folha de S.Paulo. A agência de notícias Intercept foi lançada em 2014 pelos jornalistas Glenn Greenwald, Laura Poitras e Jeremy Scahill. Greenwald foi o jornalista que, em parceria com Edward Snowden, revelou a existência dos programas secretos de vigilância dos Estados Unidos, executados pela Agência de Segurança Nacional (NSA).

A pesquisa, segundo tabela divulgada pelo jornalista norte-americano Alex Cuadros, fez a seguinte pergunta aos entrevistados: “Na sua opinião, o que seria melhor para o país? Que Dilma voltasse à presidência ou que Michel Temer continuasse no mandato até 2018”. Pela tabela, as informações dão conta de que 50% dos entrevistados querem que Temer continue na Presidência até 2018. E 32% dos entrevistados preferem que Dilma volte ao Palácio do Planalto. Os 18% restantes não escolheram nenhum dos dois, disseram não saber ou que preferiam novas eleições.

A Intercept observa que a Folha de S.Paulo não divulgou as perguntas realizadas, nem os dados de suporte, impossibilitando, assim, segundo o site, a verificação dos fatos que sustentam as afirmações. A matéria da Folha afirma que 3% dos entrevistados disseram que desejavam novas eleições, e 4% que não queriam nem Temer nem Dilma como presidentes, porque nenhuma dessas opções de resposta encontrava-se disponível na pesquisa.

Dessa forma, o site avalia como incorreta a afirmação de que 3% dos brasileiros acreditam que “novas eleições são o melhor para o país”, pois a pesquisa não colocou essa pergunta aos entrevistados. Sendo uma pergunta binária, a Intercept avalia que, ao perguntar se Temer fica quando a única opção restante é Dilma ficar, é “incorreto dizer que 50% dos brasileiros acreditam que a permanência de Temer seja melhor para o país” até o fim do mandato de Dilma. Só é possível afirmar que 50% da população deseja a permanência de Temer se a única outra opção for o retorno de Dilma.” O site entrevistou a professora de ciência política da Unicamp Andréa Freitas, para quem: “como as novas eleições são uma opção viável, deveriam ter sido incluídas como uma das opções”.

O site lembra ainda que a possibilidade novas eleições foram aventadas tanto em pesquisa anterior do instituto, de 9 de abril, como por várias personalidades políticas, como Marina Silva. Na pesquisa da Datafolha de abril, feita antes da análise do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, 60% da população apoiavam o impeachment, enquanto 58% eram favoráveis ao impeachment de Temer. A sondagem também mostrou que 60% dos entrevistados queriam a renúncia de Temer após o impeachment de Dilma, e 79% defendiam novas eleições após a saída de ambos.

CNI/Ibope

Pesquisa CNI/Ibope, publicada pela Agência Brasil no dia 1º de julho, indicou que o governo Michel Temer foi considerado ruim ou péssimo por 39% da população. O percentual de pessoas que consideravam o governo de Michel Temer ótimo ou bom foi então de 13%, contra 10% de Dilma. Já os que avaliaram o governo Temer como regular foram 36%. Em março, 19% disseram que o governo de Dilma era regular. Na última pesquisa CNI/Ibope que avaliou o governo de Dilma, em março deste ano, 69% dos entrevistados consideraram o governo da petista ruim ou péssimo.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Cunha organizou encontro em segredo entre Temer e Azevedo da Andrade Gutierrez



Entre 2012 e 2014, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) organizou pelo menos três encontros do então presidente do grupo Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, com o então vice-presidente Michel Temer. Os encontros não constaram da agenda oficial do vice. As mensagens em que Cunha e Azevedo combinam as reuniões foram registradas em anexos do relatório sobre a perícia que a Polícia Federal fez em um celular do executivo, e incluídas em inquérito público da Operação Lava-Jato.

A assessoria do presidente interino, Michel Temer, confirmou um dos encontros, realizado em 2014, a três meses das eleições, e alegou “razões técnicas” para não inclusão do ato na agenda oficial do então vice-presidente

 De acordo com as mensagens, a reunião ocorreu no gabinete da Vice-Presidência, no anexo do Palácio do Planalto, em Brasília. Pelos textos, não é possível saber o tema tratado. A assessoria de Temer afirma que Azevedo informou, no encontro, que faria uma doação eleitoral ao PMDB. Em 2014, a Andrade Gutierrez doou R$ 11,4 milhões ao PMDB.

Em 30 de julho de 2014, Cunha escreveu: “Tenho que lhe falar”. O executivo respondeu: “Falo com certeza”.

Logo depois de discutir o melhor local e horário para o encontro, Cunha anotou: “Você pode sair e ir ao Jaburu me encontrar e ao michel se quiser”.

“Que horas no michel?”, perguntou Azevedo. “Michel eu vou às 12 e fico até 14h30”, replicou Cunha. O executivo finalizou: “Chego às 14h, ok?”

“Ok”, respondeu Cunha. Meia hora depois, o deputado corrigiu:
“Não será mais Jaburu e sim gabte da vice”. A resposta de Azevedo foi “Ok”.

O conjunto de mensagens mostra que Azevedo tinha intimidade com Cunha. Em dezenas de conversas entre 2011 e 2014, eles acertaram mudanças “em segredo” de textos legislativos, encontros e até pagamentos a serem realizados em contas do PMDB e de empresa de Cunha. Além do WhatsApp, os dois também usavam aplicativos que destroem as mensagens.

Em 4 de abril de 2012, há registro de outro encontro que Cunha tentou intermediar com Temer em São Paulo. Nesse dia, Temer teve audiências oficiais, registradas na agenda. Às 15h49m, Cunha escreveu a Azevedo: “O michel cansou de te esperar e foi embora. fiquei só eu”.

O executivo respondeu: “Você é que me interessa. O Michel é um grande líder e eu não poderia incomodá-lo. Mas na verdade não sabia que ele estaria aguardando com você. Estou chegando mas tem alguma merda acontecendo na cidade. abs”. Cunha deu risadas: “Rsrsrsrs abs”.

Quatro meses depois, há registro de marcação de um novo encontro de Temer com Azevedo, na residência oficial do vice. Em 7 de agosto de 2012, Cunha escreveu para Azevedo: “Tá confirmado 20h30 Jaburu”. No relatório não há registro de resposta do executivo.

Ao ser perguntado sobre os temas tratados nos encontros, Cunha respondeu: “Não me recordo desses diálogos, não me recordo se teve esse encontro, logo não posso também me lembrar dos motivos das risadas, se é que existiram”.

A assessoria de Temer informou que ele e Azevedo tinham “relacionamento institucional e não precisavam de intermediários para marcar encontros”. Temer disse não se recordar de encontros em 2012. “Em 2014, (Temer) conversou com Azevedo, quando este comunicou que faria contribuição de campanha, voluntária e oficial, para campanhas do PMDB, tudo devidamente declarado posteriormente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, afirmou a assessoria.

PF fala em brincadeira...É isso que diz o Estadão

Em mensagens, família de empreiteiro brinca sobre compra de votos para Aécio 

 Crime previsto na legislação eleitoral, a compra de votos é motivo de brincadeiras para a família do segundo maior empreiteiro do País, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques Azevedo.

Em um diálogo no Whatsapp com suas filhas no dia 17 de outubro de 2014, a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, ele e sua família, apoiadores públicos da candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República em 2014, chegam a sugerir, em tom de brincadeira, a compra de votos em favor do tucano.

"Mamãe ligou pra Cleide hoje e disse pra ela que vai dar R$ 100 pra ela caso ela consiga 50 votos pro Aécio!!! kkk", diz uma das filhas do executivo. Ao que outra responde: "Eu tenho uma oferta melhor". Antes de comentar sua "proposta" porém, ela é interrompida por Otávio Azevedo.

"Crime eleitoral, pode impugnar o Aécio se vazar", diz o pai. A segunda filha, contudo, já havia escrito a mensagem: "Eu dou R$ 50.000 pra mamãe se ela conseguir fazer a Raquelzinha filha da Constança votar no Aécio!!!"

A primeira filha, por sua vez, responde ao empresário e diz que era apenas uma brincadeira, ao que ele responde: "É lógico que sim, eu estava do lado dela quando ela falou! Fique tranquila, foi gozações (sic)."

Pego na Lava Jato, Otávio Azevedo fez acordo de delação premiada e revelou em detalhes a atuação de uma das maiores empreiteiras brasileiras em esquema de corrupção na Petrobras, no setor elétrico e até em obras da Copa do Mundo.

Atualmente ele cumpre prisão domiciliar. Sua empresa também fez um acordo de leniência no qual aceitou devolver R$ 1 bilhão e revelou a atuação do cartel de empreiteiras em vários setores da economia brasileira.

Em sua residência na capital paulista, a Polícia Federal apreendeu no ano passado sete aparelhos celulares, que revelaram em detalhes os contatos e o cotidiano do empreiteiro com o mundo empresarial e político - além de mensagens que mostram o apoio de seus familiares mais próximos ao candidato tucano que acabou sendo derrotado nas eleições de 2014.
Leia também: A quadrilha das propinas no Hospital das Clínicas em São Paulo

segunda-feira, 18 de julho de 2016

PF contaria diagnóstico do ministro da Saúde, de que usuários do SUS “imaginam” doenças



A Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público Federal, deflagrou nesta segunda-feira a Operação Dopamina, com objetivo de desarticular esquema criminoso de desvio de recursos públicos na compra de equipamentos destinados a pacientes que sofrem de doença de Parkinson. O caso vinha sendo investigado desde fevereiro.
 Segundo a polícia, o neurocirurgião Erich Fonof e o diretor administrativo, Waldomiro Pazin, ambos do Hospital das CLinicas, são suspeitos de orientar pacientes a ingressar com ações na Justiça para conseguir liminares em caráter de urgência para...Continue lendo aqui

sábado, 16 de julho de 2016

PF prende prefeito de Foz do Iguaçu por fraude em obras do PAC



A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira o prefeito de Foz do Iguaçu, Reni Pereira (PSB), acusado de comandar um esquema de fraude em licitações municipais, entre elas obras do PAC. Os investigadores apontaram um desvio de R$ 4 milhões.

Reni foi o principal alvo da 4ª fase da Operação Pecúlio. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região determinou o seu afastamento do cargo e a prisão domiciliar. Ele não poderá sair de casa, ter acesso a internet e receber visitas. O prefeito já havia sido conduzido coercitivamente na primeira fase da operação, deflagrada no dia 19 de abril.

De acordo com as investigações, Pereira comandava um esquema dentro da administração municipal que fraudava licitações para o asfaltamento de ruas e contratos na área da saúde. Além dele, outras seis pessoas já foram presas. Com a prisão do prefeito, quem passa a ocupar a vaga é a vice Ivone Barofaldi (PSDB).

No total, 86 suspeitos respondem pelos crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa e fraude a licitações.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Homem forte de Serra terá de explicar contas na Suíça e notas frias. Se Moro chamar



Ex-tesoureiro de campanhas tucanas, Márcio Fortes já apresentou notas de empresa fantasma ao TSE e, quando candidato, deixou de declarar contas em paraíso fiscal. Falta saber se será investigado
 Surge um novo personagem nas negociações das delações premiadas das empreiteiras com a Operação Lava Jato: Márcio Fortes, um dos fundadores do PSDB, ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro – não confundir com o ex-ministro das Cidades do governo Lula. Em 2002, a fiscalização da Receita Federal encontrou notas fiscais frias na prestação de contas da campanha tucana à Presidência da República, quando Serra foi o candidato do PSDB. O valor das notas, emitidas por duas empresas – uma fantasma e outra, considerada inidônea, somaram R$ 1,144 milhão...Continue lendo aqui

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Governador tucano de de MG desviou R$ 62 mi de verba ambiental para empresas do Mineirão



O Governo do Estado de Minas Gerais desviou R$ 63 milhões de um fundo voltado para a fiscalização ambiental da atividade de empresas mineradoras que atuam em seu território para bancar o lucro contábil das empreiteiras que reformaram e administram o estádio do Mineirão, no ano orçamentário de 2013, em ato que foi considerado irregular pelo TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais).

O repasse foi feito pela administração do então governador e atual senador Antonio Anastasia (PSDB). Em nota, o PSDB-MG afirma não ter cometido qualquer ilegalidade, e diz também ter interrompido a prática considerada irregular após ter sido alertado pela corte de contas (leia mais abaixo).

O dinheiro que deveria ter sido investido em causas ambientais, mas que foi canalizado para a administração de um estádio, é oriundo da cobrança da CFEM, ou Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, tributo previsto na Constituição Federal que é revertido a Estados onde existem atividades de mineração.

Ele é pago por empresas mineradoras e, segundo a lei, deve ser revertido à recuperação do meio ambiente ou para o desenvolvimento de fiscalização e infraestrutura das cidades que abrigam empresas mineradoras. É o caso, por exemplo, do município mineiro de Mariana (110 km de Belo Horizonte), palco da catástrofe ambiental gerada pelo rompimento da barragem de resíduos da mineradora Samarco, em novembro do ano passado.

Como TCE-MG vê uso errado da verba

No caso em questão, o dinheiro deste imposto serviu de pagamento para o consórcio Minas Arena, composto pelas empreiteiras Construcap, Engesa e Hap Engenharia, que reformou e administra o Mineirão, por força de um contrato de 27 anos de duração, assinado pelo governo mineiro com as construtoras.

Relatório do TCE-MG referente às contas do Estado mineiro de 2013 apontou a irregularidade e determinou que os repasses indevidos deixassem de acontecer. Tal documento veio à tona na última terça-feira (12), quando foi apresentado à CPI do Futebol na Câmara dos Deputados pelo deputado estadual mineiro Iran Barbosa (PMDB).

O Estado de Minas autorizou créditos da ordem de R$ 131,690 milhões advindos do CFEM para pagar as empreiteiras do Mineirão. Deste montante, R$ 63 milhões foram efetivamente pagos para as empreiteiras até agora. O contrato assinado entre governo de Minas e empreiteiras garante que, caso a operação do estádio não seja lucrativa para as empreiteiras a cada ano, o Estado se incumbe de repassar verbas públicas para o consórcio, a fim de garantir seu lucro mínimo. Foi visando garantir este lucro das empreiteiras que o governo desviou as verbas ambientais em 2013.

Tal repasse foi feito porque o Executivo de MG não encontrou outra fonte de recursos para pagar as construtoras contratadas para executar a obra no Mineirão e, por força contratual, não poderia deixar de arcar com este compromisso com as empreiteiras (duas delas, aliás - a Construcap e a Engesa - são investigadas na Operação Lava Jato, sendo que a primeira está com seus principais executivos na cadeia, por ordem do juiz federal Sérgio Moro).

É que o contrato assinado em 2010 pelo governo mineiro também prevê:


Quer dizer: no caso de o Estado não ter dinheiro para pagar todos os seus compromissos financeiros, o pagamento das empreiteiras é prioritário, e deve inclusive constar na lei orçamentária anual, não importando de onde o ente público irá retirar recursos para efetuar este pagamento.

Assim, em 2013, o governo mineiro achou por bem tirar R$ 63 milhões das verbas ambientais de que dispunha para que o consórcio Minas Arena não ficasse sem seu lucro administrando o Mineirão. Então, de acordo com o Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento (Sigplan), o Estado fez uso desses recursos entre março e junho e em dezembro de 2013 para arcar com essa obrigação. Fora isso o Ministério Público de Minas Gerais investiga indícios de uma fraude contábil perpetrada pelas empresas para aumentar ainda mais os repasses devidos pelo Estado.
Os R$ 63 milhões desviados da CFEM representam mais de 40% dos recursos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente(Semad) disponíveis para investimento naquele ano de 2013.
Todas as informações são da Uol

'Le Monde':“Dilma é vítima de baixa manobra parlamentar”



Um coletivo de mais de trinta senadores de diversas regiões da França se uniu para publicar nesta quarta-feira (13) uma matéria no jornal francês Le Monde sobre o impeachment da presidente  Dilma Rousseff.

De forma sucinta, o texto do Le Monde alerta que a democracia chegou ao fim no Brasil e as máscaras estão caindo de forma rápida. Já não é novidade que o afastamento da presidente foi uma manobra baixa para que muitos legisladores fossem poupados de processos de corrupção. O que não se considerou nem um minuto foi o fato de Dilma Rousseff ter sido eleita pela maioria do povo, com mais de 54 milhões  de votos.

O Le Monde acrescenta, que além de aderir a um governo sem legitimidade, o país agora é comandado exclusivamente por homens, o que não representa a grande diversidade da população brasileira. As primeiras decisões do governo interino liderado por Michel Temer, foram claras: abolir ministério da cultura, igualdade de gênero, diversidade e Controladoria Geral da União. Em seguida, ele anunciou o fim de programas sociais como o "Minha Casa, Minha Vida" e "Mais Médicos".

Para finalizar, o artigo do Le Monde diz que este é um golpe de Estado institucional para destruir todas as reformas sociais que, durante os treze anos de governo de esquerda retirou mais de 40 milhões de brasileiros da miséria. Os homens deste governo interino rapidamente desestabilizaram a política e a economia do país.Aqui você lê o texto completo no site do jornal

Leia o texto do manifesto:“Dilma Rousseff, vítima de um golpe baixo parlamentar”

Le Monde

No Brasil, caem as máscaras. Escutas telefônicas já antigas acabam de desvendar as manobras que antecederam os procedimentos de destituição da presidenta brasileira Dilma Rousseff. Nelas, descobrimos que alguns parlamentares procuraram escapar dos processos por corrupção que os ameaçavam por meio do afastamento de Dilma Rousseff, eleita por 54 milhões de votos (51,64%). Nós assistimos à tomada do poder sem legitimidade popular, daqueles que perderam as eleições, com o objetivo de instituir seu programa de governo, largamente rejeitado pelas urnas. Estes formaram um governo composto exclusivamente de homens, sem nenhuma representação da diversidade que compõe a sociedade brasileira.

As primeiras decisões desse executivo interino, dirigido por Michel Temer, foram claras: supressão dos ministérios da Cultura, da Igualdade Racial, da Diversidade e do órgão independente de controle do aparelho do Estado, (Controladoria Geral da União). Em seguida, anunciou o fim de programas sociais como Minha Casa, Minha Vida, de acesso à moradia aos mais pobres, ou do Mais Médicos, que permete a instalação de médicos estrangeiros em zonas menos favorecidas, e instaurou um plano de austeridade econômica. Trata-se de um golpe de estado institucional que visa destruir todas as reformas sociais que permitiram, durante treze anos de governos de esquerda, que mais de 40 milhões de brasileiros saíssem da miséria. Os homens desse governo interino têm pressa e não se preocupam com a instabilidade política, econômica e social na qual estão mergulhando o Brasil.

Governo inaceitável

Nós, eleitos franceses, afirmamos que o procedimento constitucional de destituição foi instrumentalizado por uma maioria parlamentar de circunstância. Esse procedimento, que só pode ser aplicado para crimes ou delitos graves, foi acionado por causa de simples decretos de retificação do orçamento de 2015, adotados pelo governo de Dilma Rousseff. O procedimento foi aberto no meio de dezembro de 2015, antes mesmo do fim do ano fiscal e da análise e validação do orçamento pelo Tribunal de Contas e pelas duas casas legislativas. Nós ressaltamos que a presidente afastada não está envolvida em nenhum dos escândalos de corrupção que atingem a classe política, principalmente o que envolve a sociedade petrolífera Petrobrás. Não é o caso de sete dos ministros do governo Temer. Um deles, Romero Jucá, do Planejamento, está implicado no escândalo das escutas que relevam a realidade da destituição e já pediu demissão do cargo. Da mesma maneira agiu, alguns dias mais tarde, Fabiano Silveira, ministro da “Transparência”, também envolvido com essas escutas. O próprio presidente interino foi declarado inelegível por oito anos pela justiça de São Paulo por fraudes em suascontas de campanha.

Outro traço notável e significativo desse governo inaceitável: o ministro da Justiça Alexandre de Morais foi advogado do grupo criminoso e mafioso PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo. Nós também nos preocupamos com o envolvimento no golpe de estado da grande mídia brasileira, comandada por grupos financeiros importantes, por meio de uma campanha extremamente violenta a favor da destituição e da criminalização da esquerda brasileira. A mesma mídia apoiou o golpe militar de 1964, a partir do qual construiu verdadeiros impérios midiáticos

. Nós ficamos chocados com as justificativas de voto dos deputados a favor do afastamento, invocando Deus ou suas famílias, um deles chegando ao ponto de fazer apologia ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador de Dilma Rousseff, já morto.

Dezenas, centenas de milhares de brasileiros se mobilizam hoje em todo o país na defesa da democracia, exigindo a partida desse governo ilegítimo e o retorno da presidenta democraticamente eleita. Nós os apoiamos. Nós, parlamentares, esperamos que o Supremo Tribunal Federal, que ainda não se pronunciou sobre o mérito, condene o desvio do procedimento de destituição. Nós, parlamentares franceses, solicitamos que o governo de François Hollande se pronuncie e condene esse golpe contra a democracia. Nós, parlamentares, denunciamos nessa região do mundo, após o afastamento dos presidentes eleitos de Honduras e Paraguai, esse terceiro golpe de estado institucional. E afirmamos nosso compromisso em relação ao respeito ao voto popular como única forma de acesso à direção de um país. Nós solicitamos à comunidade internacional que condene esse golpe de estado. Seria grave para todo o subcontinente que o maior país da América Latina mergulhe em um impasse político, econômico e social.

Politicos que assinam o manifesto

Patrick Abate, senador de Moselle (CRC), Aline Archimbaud, senadora de Seine-Saint-Denis (Les Verts), Eliane Assassi, senadora de Seine-Saint-Denis e Presidenta CRC, Marie-France Beaufils, senadora de Indre-et-Loire (CRC), Esther Benbassa, senadora de Val-de-Marne (EELV), Michel Billout, senador de Seine-et-Marne (CRC), Marie Blandin, senadora do Norte (groupe écologiste), Eric Bocquet, senador do Norte (CRC), Jean-Pierre Bosino, senador de Oise (CRC), Corinne Bouchoux, senadora de Maine-et-Loire (groupe écologiste), Laurence Cohen, senadora de Val-de-Marne (CRC), Cécile Cukierman, senadora da Loire (CRC), Ronan Dantec, senador da Loire-Atlantique (EELV), Annie David, senadora de Isère (CRC), Karima Delli, deputada europeia (EELV), Michelle Demessine, senadora do Norte (CRC), Evelyne Didier, senadora de Meurthe-et-Moselle (CRC), Christian Favier, senador de Val-de-Marne (CRC), Thierry Foucaud, senador de Seine-Maritime (CRC), Brigitte Gonthier-Maurin, senadora de Hauts-de-Seine (CRC), Pierre Laurent, secretário nacional do PCF e senador de Paris (CRC), Michel Le Scouarnec, senador de Morbihan (CRC), Noël Mamère, deputado de Gironde (groupe écologiste), Christine Prunaud, senadora de Côtes-d’Armor (CRC), Jean-Louis Roumégas, deputado de Hérault (groupe écologiste), Bernard Vera, senador de Essone (CRC), Paul Vergès, senador daRéunion (CRC), Dominique Watrin, senador de Pas-de-Calais (CRC).

MP de SP analisa denúncia de funcionária fantasma do deputado Chedid (DEM)



Denúncia levada ao Ministério Público de São Paulo indica uma suposta funcionária fantasma do gabinete do deputado estadual Edmir Chedid (DEM), 2º secretário da Assembleia Legislativa de São Paulo. Ana Lucia Parise Gritti aparece na lista de funcionários da Casa como assessora especial do parlamentar. Ela recebe R$ 17.555,37 por mês.

Mas, além do cargo comissionado no gabinete de Chedid, Ana Gritti cumpre uma segunda carga horária semanal de 44 horas em uma escola do município de Serra Negra, a mais de 140 quilômetros da capital paulista.

De acordo com informações da Assembleia, Ana Lúcia é funcionária de Chedid desde outubro de 2015.

Por decisão da Mesa Diretora da Casa, publicada no "Diário Oficial", a suposta funcionária também foi beneficiada com Gratificação Especial de Desempenho (GED), em janeiro de 2016, apenas três meses depois de sua nomeação.

A gratificação mensal é dada a servidores que se destacam em suas tarefas, demonstrando "alta produtividade". O salário contratual é de R$ 12,8 mil acrescido de gratificação especial.

Só que a atividade prestada por Ana Lúcia agora está sendo questionada em denúncia sob análise do Ministério Público. Documento mostra que ela trabalha como professora em uma escola particular de Serra Negra e cumpre carga horária de 44 horas semanais, ou mais de oito horas diárias.

Na Assembleia, o tempo determinado de trabalho é de 40 horas semanais.

Se a funcionária exerce as duas funções tem que trabalhar pelo menos 88 horas semanais, ou quase 17 horas todos os dias.

Ana Lúcia é mulher de Alexandre Gritti, ex-vereador e ex-candidato a prefeito da cidade de Monte Alegre do Sul, vizinha de Serra Negra. Gritti, que concorreu ao cargo pelo PSD, é ligado ao deputado Edmir Chedid.

No site da Assembleia Legislativa de São Paulo, é noticiado um encontro em março de 2015 entre os dois políticos, em que foi reivindicada a ampliação de programas e projetos sociais em Monte Alegre do Sul.

Justiça manda bloquear bens de ex-presidente do PSDB em Minas Gerais



A Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de bens do ex-presidente do PSDB no Estado Narcio Rodrigues. Também ex-secretário de Ciência e Tecnologia no governo de Antonio Augusto Anastasia (PSDB) e ex-deputado federal, Narcio foi preso em 30 de maio dentro da Operação Aequalis, deflagrada pelo MPE (Ministério Público Estadual), autor do pedido de bloqueio de bens, e a Polícia Militar.

O tucano é suspeito de desvio de recursos públicos para construção do Hidroex (Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada), em Frutal, no Triângulo Mineiro, terra natal e base eleitoral do tucano. O advogado do ex-presidente do PSDB no Estado, Estevão Ferreira de Melo, disse que ainda não foi comunicado da decisão.

Narcio é réu em duas denúncias apresentadas pelo MP. Uma pela construção e outra por contratos para equipar o centro. O desvio de recursos públicos seria de R$ 8,4 milhões, segundo a promotoria. Há suspeita, ainda conforme o Ministério Público, que o dinheiro tenha sido utilizado em campanhas eleitorais de 2012, quando foram escolhidos vereadores e prefeitos.

Os promotores ainda não conseguiram identificar, porém, o destino dos recursos, que podem ter sido enviados a paraísos fiscais e depois enviados ao Brasil para o abastecimentos da campanha, conforme as investigações. Preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, Narcio aguarda julgamento de habeas corpus.